Por Giovani Martins, professor de Geografia do colégio Bom Jesus de Florianópolis
Ao analisarmos a evolução do sistema capitalista é visível o aprofundamento das relações internacionais, principalmente por conta do desenvolvimento técnico – cientifico , que acabou gerando o aumento da produção e das exportações entre os países, sobretudo dos mais industrializados. Na atual ciranda econômica mundial, entra cada vez mais em vigor o termo Globalização que, originalmente, significava facilidade de acesso internacional e hoje representa a disseminação de informações em escala global, a maior difusão cultural entre os países, o grande avanço tecnológico, o aumento na produção de bens e na geração de serviços, além de também estimular a formação de Organismos Internacionais, a exemplo do FMI – Fundo Monetário Internacional.
Nessa visão macroeconômica, os fluxos internacionais de capitais concentram-se nos países desenvolvidos, que são centros da economia global, a exemplo dos Estados Unidos. Por conta do poder financeiro global, o território estadunidense sedia em Washington-DC o Banco Mundial, além do próprio FMI. Segundo Richard Vedder1 , a prosperidade do mundo tem aumentado de forma ilimitada pelo crescimento das relações econômicas internacionais. Durante o fim do século XIX e o começo do século XX havia pouca coordenação das finanças internacionais. A capital financeira do mundo era Londres, e as principais nações voltadas para o comércio usavam o padrão ouro. A primeira Guerra Mundial envolveu fluxos de capital internacional de forma nunca vista à medida que nações européias como a Grã-Bretanha e a Alemanha se afundavam em dívidas, tomando grandes empréstimos de outros países, especialmente dos Estados Unidos.
O princípio de assistência internacional para resolver pressões financeiras, recebeu um grande impulso com o Programa de Recuperação Econômica (Plano Marshall) dos Estados Unidos, que forneceu ajuda a muitas nações européias. O Plano Marshall promoveu a cooperação internacional entre os beneficiários de mais de US$ 12 bilhões em assistência econômica em forma de empréstimos. A Guerra Fria, após 1945, levou a novas formas de cooperação regional políticas e econômicas. Em 1947, teve início o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que proporcionou as bases para uma série de negociações que levaram, nos 50 anos seguintes, a expressivas reduções nas barreiras ao comércio internacional, especialmente em bens e serviços.
Richard Vedder, em seu artigo – O Sistema Financeiro Global em Transformação – menciona quatro extensões do sistema financeiro mundial como importantes. Em 1995, a Organização Mundial do Comércio (OMC) substituiu o GATT e recebeu maior autoridade para fazer cumprir as normas internacionais relativas ao comércio e às transações financeiras transnacionais. O Grupo dos Sete (G-7) começou como um encontro de ministros da Fazenda das sete principais nações industrializadas, mas cresceu em número e agora abrange 20 nações (o G-20) que se reúnem regularmente para aprovar as políticas que regem os acordos econômicos e financeiros internacionais. Outras conferências não governamentais, especialmente em Davos, Suíça, reúnem líderes financeiros e empresariais, em geral plantando as sementes para futuras reformas de políticas. Finalmente, vários tratados tributários multilaterais têm tentado padronizar, em alguma medida, o tratamento fiscal para os envolvidos em atividades internacionais. O sistema financeiro global em transformação tem sido tanto causa como conseqüência do rápido crescimento da globalização. Para a maioria das nações, o comércio internacional envolve uma porção muito maior de sua produção do que uma ou duas gerações atrás. O fluxo internacional de capitais cresceu extraordinariamente nos últimos anos (Vedder 2011).
A Globalização de fato, coloca em cena alguns países como centros econômicos mundiais e ao mesmo tempo cria regras financeiras que, de certa forma, condicionam todo o mercado. Com o fim da Guerra Fria, as relações capitalistas globalizadas entram na enorme ciranda financeira, fragilizando-se na medida em que dependem umas das outras. Reforçando a ideia de nações interdependentes, países subdesenvolvidos dependem cada vez mais dos países desenvolvidas reafirmando a premissa capitalista de “centro e periferia”.
Nesse amplo espaço global, países como os Estados Unidos ainda ditam as regras e, na medida em que buscam manter sua hegemonia, focam cada vez mais suas intenções nas nações emergentes que acabam sendo alvo da supremacia e investimentos daquele país. Alguns autores chegam a chamar o processo global como ocidentalização e creditam aos Estados Unidos o domínio econômico e também cultural. Os Estados Unidos têm uma clara vantagem sobre as demais nações desenvolvidas, principalmente no que se refere à indústria de cinema e de entretenimento. Um relatório do Development Program, da ONU, declara que os estadunidenses exportam para a Europa, anualmente 1,2 milhões de horas de programas de TV. Esta quantidade enorme de material de transmissão é o suficiente para manter mais de 130 canais de TV ocupados o tempo inteiro. Um relatório da UNESCO diz que a programação da TV americana ocupa mais de 75% da transmissão global, com o restante sendo dividido entre a produção local na Europa e a de outros lugares.
Mas no final de 2008, depois de longo período de crescimento e controle econômico mundial, os Estados Unidos revelam ao mundo que sua prosperidade havia sido construída, em grande parte, em cima da especulação financeira, do crédito e do consumo exagerado, o que levou a uma crise no crédito e aumentou terrivelmente a inadimplência, especialmente no setor imobiliário. Imediatamente, os demais mercados das grandes economias desenvolvidas sentiram o impacto dessa crise financeira mundial, que logo se alastrou pelo mundo todo. A média de crescimento mundial, que tinha sido de 5,5% ao ano nos últimos anos, despencou, tornando-se negativa em alguns países. Agora em 2011, outra crise parece abalar a hegemonia estadunidense.
As crises especulativas são sempre gestadas em momentos de juros baixos e créditos farto, mais comuns em fases de suposta prosperidade. O acesso mais fácil ao dinheiro reduz a noção geral de risco. Tanto profissionais do mercado quanto cidadãos comuns se tornam mais propensos a investimentos ousados, em busca de lucros mais altos e rápidos. Nesse cenário surgem as “bolhas”: um tipo de investimento que se torna uma mania e se valoriza muito além das reais possibilidades de retorno. Fator que atrai investidores em âmbito mundial criando uma rede cada vez mais dinâmica, porém com riscos chamados de efeito dominó, ou seja, a queda de um implica na queda de outros tantos. Entrando em crise, os Estados Unidos que controla grande parte do PIB mundial, afeta direta e indiretamente importantes nações do mundo.
(*) Giovani é professor de Geografia do Colégio Bom Jesus Coração de Jesus e especialista em Gestão Educacional e Metodologia do Ensino Interdisciplinar